

As palavras são imprevisíveis. Soltam-se com facilidade, prendem-se na mente, cavalgam nas estrelas, aninham-se na alma, libertam-se sem que o desejemos, escondem-se quando precisamos delas.
São de todas as cores e formas, amarelas, azuis, encarnadas, negras, redondas, quadradas, rectangulares e às vezes não têm cor nem forma. Amo -as e odeio-as numa amálgama de sentimentos contraditórios, paradoxais mesmo. Não consigo viver sem elas nem com elas. Há dias assim, em quero escrever mas não sei o quê, em que me apetece falar de emoções, mas não sei de quais e as palavras fogem diante dos meus olhos, escapam-se por entre os dedos no teclado ou pelos neurónios, habitantes permanentes no cérebro cinzento que palpita dentro da minha cabeça.
Quando busco por palavras bem bonitas, capazes de descrever estados de alma mais felizes, não as vejo. Parece que estão ali, quietas, zombeteiras, troçando --- que pirosa, são só palavras, és mesmo tonta, ... pára com tanta cretinice. Mas se as procuro para falar de tristezas, de misérias, de desilusões e desencantos, ei-las que saltam, fervilhando por entre os dedos, desfiando emoções, cores e formas e cantando - que bem sabes expressar os teus sentimentos, que cores sugestivas têm as tuas descrições, que comparações e analogias utilizas tão facilmente...
As palavras são traiçoeiras. São belas. São fiéis. São feias. São mundos de sonho e sonhos do mundo. São alegria e tristeza. São suor e lágrimas. São sorrisos e gargalhadas. São Sol e Lua.
Sempre que as palavras fogem de mim, procuro os pincéis , as tintas, as cores, as telas.
Hoje, as palavras esconderam-se e eu procurei refúgio no meu mini-atelier.