Friday, 8 February 2019

Vou...


a caminho de Ingoré (1981)
Vou
Ansiosa por rever locais
De tristeza
De alegria,
Onde jazem partes de um corpo
Que vive comigo
Há décadas.

Vou
Ansiosa por rever locais
Onde vivi
Dias e meses bem diferentes
Da selva urbana
Onde vivo
Hoje

Vou
Caminhando por ruas
De terra batida,
Visitando lugares
Que não são como eram,
Nem são
Como hão-de ser
Num tempo
Que já não é meu.

Vou
Revisitar uma terra distante,
Onde amor e raiva
Conviveram lado a lado,
Dia a dia,
Hora a hora,
Em bolanhas por cultivar,



Em terras alagadas,
Onde  morte e vida
Se afundaram
Em cores esverdeadas
E castanhas
De fardas opostas
Ali tombadas.

Vou
Reencontrar sentimentos
Ali vividos,
Repisar  caminhos
Ali percorridos,
Regressar a um tempo
Ali passado
Depois de outro tempo
Ali sofrido.


Bissau (1982)
Vou, vamos ...

S.Pedro, fevereiro 2019

Saturday, 26 January 2019

Faltam-me Tantos Países Para Visitar....

Quantos paises já visitei. Faça o seu mapa personalizado de viagens
Visitei 37 países das Nações Unidas (19.1%) num total de 193.
Faça o seu mapa de viagens.

Wednesday, 23 January 2019

junto ao mar...

s.pedro de moel praia da concha
Junto ao mar, 
Sou Rocha. 
Batida pelas ondas 
Com a força dos sonhos, 
Atravessada pelo vento 
Que sopra do Oeste. 

Junto ao mar, 
Sou Onda, 
Carregada da vida 
Que me enche o corpo 
E a mente vazia 
De lamentações! 

Junto ao mar, 
Sou Eu, 
Sem stress nem raiva 
Que me atravesse o sonho 
De navegar pelas águas 
Agitadas ou calmas 
Do oceano da Vida . 



Sunday, 20 January 2019

Balanço de 2018? Talvez, mas muito pessoal...

Há balanços que não são fáceis de fazer e... quando se trata de balanços de vida ainda mais difícil se torna... Gosto, no final de cada ano, de reflectir sobre os 365 dias anteriores e de que modo influenciaram ou não os meus dias . Este ano , bem antes do final de Dezembro, numa tarde de inquietação, como tantas que fui ultrapassando de um ou outro modo, decidi pegar numa tela pequena adquirida há uns meses e nas minhas tintas acrílicas, algumas já meio secas e guardadas numa caixa e pintar um pequeno quadro, consciente de que pintar , para mim, não é senão um gosto e um garatafunhar com pinceladas e cores o que me vai na mente. Sem técnicas, sem preocupações de perfeição, mas tão só um expressar de sentimentos ao sabor das cores e dos desenhos que vou criando.
Nessa tarde, reflectia sobre o ano que se aproximava do fim. E eram tantas as dúvidas, as certezas, as interrogações, as surpresas e as indignações que dei por mim desenhando e pintando sinais de pontuação, os mesmos que utilizamos na escrita para expressar o que a nossa entoação envia para os nossos interlocutores.
Neste caso, o meu interlocutor era uma pequena tela branca e a entoação residia nas cores que iam preenchendo os sinais desenhados a lápis, enquanto saboreava o sol na minha varanda. 
Quando prestei mais atenção ao que estava fazendo, apercebi-me de que os sinais de pontuação ali pautados correspondiam a momentos vividos com todas as emoções possíveis ao longo dos 365 dias , quase a terminarem.
Foi este o resultado desssa tarde de emoção pura , tão imperfeito quanto a minha técnica pictórica,  mas tão verdadeiro quanto os sentimentos que me dominavam durante aquela tarde.

As interrogações e dúvidas dominaram o ano. As grandes interrogações colocam-se a nível internacional... que futuro está reservado aos jovens nesta sociedade em que o valor máximo é atribuído ao capital e aos poderosos que dominam as relações internacionais? Que mundo está a ser deixado aos jovens que vão observando e constatando que direitos  humanos são permanentemente mandados para o lixo, sob o pretexto do princípio reinante de “ é o menos mal”?
E a nível pessoal, que futuro aguarda os meus netos, tão jovens ainda, divididos por afectos e cheios de valores transmitidos  no mundo virtual onde a violência real predomina e onde todos os conflitos se resolvem, recorreu ao uso da força? Será que o acompanhamento quotidiano basta para que uma percepção de valores morais e de justiça se tornem um  lema das suas vidas? E se tal for real, como sobreviverão nesta sociedade apodrecida ? 
Também foram muitas as surpresas e indignações . Surpresa pela ignorância patente no apoio  que Trump  vai recolhendo junto de populações marginalizadas num país que pretende ser o dono do mundo. Surpresa pela opção de brasileiros que devem uma escola para todos é uma bolsa família a um Homem que meteram na prisão, independentemente de erros que possa ter cometido.
.Surpresa e indignação surgiram mescladas com predomínio de uma ou outra , conforme as notícias iam sendo noticiadas por uns média, completamente manipulados pelos poderes nacionais e internacionais.
Reticências ou incertezas ou reflexões sobre os caminhos que governos e povos vão trilhando . Medo de conflitos que se vão generalizando por esse mundo, alimentados por poderes inconfessáveis e por pessoas que vão minando as relações sociais com especial cuidado entre familiares. Tudo se passa como se um mundo, em que o material prevalece, fosse ou estivesse a tornar-se no principal motor da sociedade. 
Os laços familiares vão perdendo força. As famílias são modelos difíceis de compreender. Quantas crianças,  por esse mundo fora, jamais poderão usufruir de uma simples festa de aniversário, com a presença dos seus progenitores! E não creio que o facto de terem mais do que uma festa os compense, em termos afectivos e emocionais da ausência de um deles, em dias tão importantes nas suas  vidas e no seu crescimento...
Admiração pela esperança que ainda sobrevive  em grupos significativos de homens e mulheres que não cruzam os braços perante a luta.
Admiração pelo sonho que ainda se instala no ser humano, procurando compensação para quotidianos menos risonhos. 
O emprego estável, uma família unida, um futuro cheio de cor, o conhecimento de novos lugares e povos, o tempo para ler os livros que não leu, uma escola apetecível para todos. 
Admiração  ( ou surpresa? ou espanto ? ou indignação ?) pela confiança que ainda depositam em governos submetidos aos investidores, que dominam a arte da retórica e da simulação.
Certezas, ainda são muitas, o que permite a manutenção da minha saúde mental.
 A certeza dos afectos sinceros entre  maridos e mulheres, entre amigos recentes e de longa data , entre avós e netos , entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, entre vizinhos. 
A certeza da força dos afectos.
A certeza dos sonhos de novos mundos e novas gentes. 
A certeza de um sol que brilha para todos, apesar das chuvas e terramotos que assolam o planeta.
A certeza de que o mundo de cada um consegue vencer a incerteza do mundo global.
A certeza de que ainda vivi momentos muito agradáveis e outros ainda virão.
Ponto final neste balanço muito pessoal.


Tuesday, 23 October 2018

Na selva da vida , hoje 

Na viagem da vida, o inesperado acontece.
Sopram ventos arenosos e quentes,
Caem árvores seculares,
Filhos ignoram pais que deles cuidaram,
Crianças matam crianças,
O calor aquece no outono,
A chuva cai no verão...

E o Homem continua como dantes:

Olha por si e alguns perto dele,
Ignora milhares que fogem à fome,
Inventa guerras onde as não há,
Cria armas bem mortíferas,
Cega com o ouro desejado,
Acredita só no capital,
Constrói castelos de prata,
Enquanto multidões morrem de fome..
Ama o Poder do dinheiro,
Nega a Liberdade aos outros,
Tortura quem não  segue sua mente satânica...

Na viagem da Vida ,
A Selva tomou conta do Mundo
E a ignorância dos famintos alimenta o Despotismo..




Manuela Gonçalves 

Tuesday, 4 September 2018

Um dia no Dino Parque














Último dia de Agosto, mês tradicionalmente de férias. O início das aulas será em breve e nada como proporcionar às crianças , completamente fascinadas pelo dinossauros, um dia no Dino Parque, parque temático aberto este ano de 2018.
E foi assim que rumámos à Lourinhã, na última sexta-feira do mês, onde a chegada foi cerca das 11:30, ainda sem grandes filas de entrada nem um calor abrasador.
A surpresa  invadiu-nos ao entrar no Parque, bem como a sua organização . Não sei bem o que esperávamos, mas a satisfação foi muita.
Se nós, adultos estávamos visivelmente surpreendidos, o encantamento das crianças era muito , como se estivessem num outro tempo. 
O Gil não deixava que o telemóvel tivesse outra utilização a não ser a de fotografar; o Lucas procurava ler toda a informação para poder responder às questões do quizz, entregue à entrada. Nós fomos seguindo os trilhos, parando aqui e ali ( havia sempre algum espaço arranjado com mesas e bancos) para descansar e ir piquenicando os lanche previamente preparado.
No espaço de actividades, após a caminhada por trilhos devidamente sinalizado com informação relativa à época e aos tipos de dinossauros que íamos encontrando, deliciaram-se em Actividades de escavação de pequenos blocos com dinossauros ou fósseis no interior. Os instrumentos e explicações necessárias eram dada por pessoal do Parque. 
A jornada terminou pelas 15:30, cansados mas contentes e tendo feito aprendizagens importantes, que os entusiasmaram. 

Wednesday, 15 August 2018

Praia,hoje...

O sol escondeu-se na neblina
Cinzenta,
O calor passeia-se na praia,
Estende-se pinhal adentro,
Finta a teimosia solar,
Permanece no areal.

Estendem-se corpos
Na areia colorida
Com fatos de banho 
garridos, 
Chapéus de sol
Riscados,
Bolas insufláveis,
Saltitantes
De crianças traquinas,
de todos os tamanhos,
Vigiadas pela preocupação 
Materna... 
As letras dos jornais

Passam nos dedos dos pais.


E a areia continua colorida,
E o sol continua escondido,
E o calor continua vivo..
E a neblina continua comigo
Na esplanada.