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Sunday, 20 January 2019

Balanço de 2018? Talvez, mas muito pessoal...

Há balanços que não são fáceis de fazer e... quando se trata de balanços de vida ainda mais difícil se torna... Gosto, no final de cada ano, de reflectir sobre os 365 dias anteriores e de que modo influenciaram ou não os meus dias . Este ano , bem antes do final de Dezembro, numa tarde de inquietação, como tantas que fui ultrapassando de um ou outro modo, decidi pegar numa tela pequena adquirida há uns meses e nas minhas tintas acrílicas, algumas já meio secas e guardadas numa caixa e pintar um pequeno quadro, consciente de que pintar , para mim, não é senão um gosto e um garatafunhar com pinceladas e cores o que me vai na mente. Sem técnicas, sem preocupações de perfeição, mas tão só um expressar de sentimentos ao sabor das cores e dos desenhos que vou criando.
Nessa tarde, reflectia sobre o ano que se aproximava do fim. E eram tantas as dúvidas, as certezas, as interrogações, as surpresas e as indignações que dei por mim desenhando e pintando sinais de pontuação, os mesmos que utilizamos na escrita para expressar o que a nossa entoação envia para os nossos interlocutores.
Neste caso, o meu interlocutor era uma pequena tela branca e a entoação residia nas cores que iam preenchendo os sinais desenhados a lápis, enquanto saboreava o sol na minha varanda. 
Quando prestei mais atenção ao que estava fazendo, apercebi-me de que os sinais de pontuação ali pautados correspondiam a momentos vividos com todas as emoções possíveis ao longo dos 365 dias , quase a terminarem.
Foi este o resultado desssa tarde de emoção pura , tão imperfeito quanto a minha técnica pictórica,  mas tão verdadeiro quanto os sentimentos que me dominavam durante aquela tarde.

As interrogações e dúvidas dominaram o ano. As grandes interrogações colocam-se a nível internacional... que futuro está reservado aos jovens nesta sociedade em que o valor máximo é atribuído ao capital e aos poderosos que dominam as relações internacionais? Que mundo está a ser deixado aos jovens que vão observando e constatando que direitos  humanos são permanentemente mandados para o lixo, sob o pretexto do princípio reinante de “ é o menos mal”?
E a nível pessoal, que futuro aguarda os meus netos, tão jovens ainda, divididos por afectos e cheios de valores transmitidos  no mundo virtual onde a violência real predomina e onde todos os conflitos se resolvem, recorreu ao uso da força? Será que o acompanhamento quotidiano basta para que uma percepção de valores morais e de justiça se tornem um  lema das suas vidas? E se tal for real, como sobreviverão nesta sociedade apodrecida ? 
Também foram muitas as surpresas e indignações . Surpresa pela ignorância patente no apoio  que Trump  vai recolhendo junto de populações marginalizadas num país que pretende ser o dono do mundo. Surpresa pela opção de brasileiros que devem uma escola para todos é uma bolsa família a um Homem que meteram na prisão, independentemente de erros que possa ter cometido.
.Surpresa e indignação surgiram mescladas com predomínio de uma ou outra , conforme as notícias iam sendo noticiadas por uns média, completamente manipulados pelos poderes nacionais e internacionais.
Reticências ou incertezas ou reflexões sobre os caminhos que governos e povos vão trilhando . Medo de conflitos que se vão generalizando por esse mundo, alimentados por poderes inconfessáveis e por pessoas que vão minando as relações sociais com especial cuidado entre familiares. Tudo se passa como se um mundo, em que o material prevalece, fosse ou estivesse a tornar-se no principal motor da sociedade. 
Os laços familiares vão perdendo força. As famílias são modelos difíceis de compreender. Quantas crianças,  por esse mundo fora, jamais poderão usufruir de uma simples festa de aniversário, com a presença dos seus progenitores! E não creio que o facto de terem mais do que uma festa os compense, em termos afectivos e emocionais da ausência de um deles, em dias tão importantes nas suas  vidas e no seu crescimento...
Admiração pela esperança que ainda sobrevive  em grupos significativos de homens e mulheres que não cruzam os braços perante a luta.
Admiração pelo sonho que ainda se instala no ser humano, procurando compensação para quotidianos menos risonhos. 
O emprego estável, uma família unida, um futuro cheio de cor, o conhecimento de novos lugares e povos, o tempo para ler os livros que não leu, uma escola apetecível para todos. 
Admiração  ( ou surpresa? ou espanto ? ou indignação ?) pela confiança que ainda depositam em governos submetidos aos investidores, que dominam a arte da retórica e da simulação.
Certezas, ainda são muitas, o que permite a manutenção da minha saúde mental.
 A certeza dos afectos sinceros entre  maridos e mulheres, entre amigos recentes e de longa data , entre avós e netos , entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs, entre vizinhos. 
A certeza da força dos afectos.
A certeza dos sonhos de novos mundos e novas gentes. 
A certeza de um sol que brilha para todos, apesar das chuvas e terramotos que assolam o planeta.
A certeza de que o mundo de cada um consegue vencer a incerteza do mundo global.
A certeza de que ainda vivi momentos muito agradáveis e outros ainda virão.
Ponto final neste balanço muito pessoal.


Saturday, 9 June 2018

Reflectindo ... no cantinho meu

O sol vai e vem
Fazendo-se caro
A chuva vai e vem
Fazendo-se barata 
A alegria vai e vem
Fazendo- se desejada
A tristeza vai e vem
Fazendo-se distraída

E eu 
Vou e venho
Por caminhos encantados,
E  sonhados 
Por mares imensos
E desconhecidos
Por montes e vales
E rios e riachos... 

E eu
Vou e venho
Por afectos sentidos
Perdidos,
Reencontrados
Por saudades imensas
De tempos idos,
Regressados, 
Mascarados 
Bem educados
Num tempo desconhecido 

De agora! 





Monday, 2 April 2018

Vila Nova da Cerveira


um lugar excelente, onde apetece ficar por um  bom tempo... caminhar...ler... escrever...





















O navio hospital Gil Eanes em Viana do Castelo

Viana do Castelo
Barco Hospital Gil Eanes

 Vista de Viana de Santa Luzia

 Santa Luzia

 Gil Eanes, O barco Hospital de apoio aos bacalhoeiros



















Thursday, 11 January 2018

Sonho desfeito...

SONHOS

Os sonhos fazem parte integrante da condição humana.
Quem é que já não sonhou ao longo da vida?
Por vezes, acredito mesmo que não poderíamos viver sem a presença do sonho, trate-se daqueles que temos , enquanto dormimos , e para os quais procuramos significado, por tão estranhos que eles nos parecem, quer daqueles que construímos , peça a peça, tentando que se concretize um dia, quem sabe…
Há quem considere os sonhos produtos da imaginação, da fantasia, do devaneio até, mas também há quem os considere simples projectos cuja execução pode ser mais ou menos difícil, mas de algum modo viável , pelo que o sonho assume algo de muito belo e agradável que desejamos a todo o custo concretizar…
Um dos maiores problemas, se não o maior que temos de enfrentar é se a concretização do sonho depende de outros que não nós mesmos, os sonhadores, ou se o sonho que parecia partilhado por outros afinal era apenas o sonho de um.
Quando tal acontece, o sonho fica pela metade ou desfaz-se como a espuma das ondas ao alcançar a areia.
Normalmente, estes sonhos desfeitos deixam marcas bem fundas, mesmo que reconstruídos no silêncio de noites mal dormidas , tentando compreender o que falhou no projecto feito com tanto afecto e segurança, passo a passo, para que passo algum, em falso, fosse dado.
E foi isto que aconteceu com Maria.
Sempre, desde que se conhecia, gostara de casitas bem pequeninas, em madeira , no meio da natureza e rodeada por espaços grandes. Um sonho que desistira de concretizar, por variadas razões, entre as quais por fazer parte exclusivamente do seu imaginário.
E Maria foi caminhando nas estradas e vielas da vida sem que o sonho a incomodasse ou perturbasse , de alguma maneira as decisões das rotas que ia seguindo, com a família.
A dada altura , com os anos de vida a crescerem rapidamente, como se a avisassem que o tempo não volta para trás, reunidas algumas circunstâncias , eis que alguém da família recorda : agora podes fazer aqui a tua casita…
E o sonho , adormecido, voltou, cresceu, tornou-se real.
A casita, pequenina, rodeada de espaço, de flores, de crianças brincando no espaço , onde baloiços e trampolins e piscinas iam sendo colocadas á medida da idade e tamanho deles.
A casita continuava pequenina mas perto de uma casa grande onde crianças e pais viviam , deixando no ar risadas conjuntas, lanches divertidos, passeatas no campo e palavras e palavras…
Cresceram as flores, as árvores de fruto, as ervas que precisavamconstantemente de ser cortadas, o cão, tipo Husky, recolhido num verão distante , porque abandonado por desconhecidos perto da auto -estrada, tornou-se um amigo e companheiro, sem sequer se incomodar com os gatos e galinhas e patos que também vieram , por acréscimo, para aquele espaço que rodeava a casita , outrora um sonho, agora uma realidade concretizada.
E anos foram passando e árvores crescendo… e um outro sonho começou a ganhar forma….
A casita pequenina, cuidada com carinho , rodeada de flores seria o lar da Maria, num tempo futuro cada vez mais próximo, onde não faltaria a alegria de poder conviver sempre com as crianças , onde a palavra solidão não seria pronunciada, onde as risadas permaneceriam, mesmo quando não lhe apetecesse rir, onde o pôr -do-sol de cores vibrantes era uma hino à vida, vivida e por viver…
Tornara-se o sonho de quem percorre as estradas do mundo , sabendo que o ritmo das pernas menos ágeis não permanecerá o mesmo de hoje…
O sonho passara a ser um desejo veemente, uma aspiração de quem caminha para velho.
Mas o sonho deixou de ser comum a todos , ou foi substituído por outro sonho de um dos habitantes da casa grande.
Num ápice, o tempo mudou e a casita pequenina perdeu o encanto do afecto, a risada de crianças, as palavras e lanches e brincadeiras que a alimentavam.
Maria ficou sem sonho, sem risadas, sem palavras e palavras.
Deixou cair lágrimas pela face, arrumou as suas coisas , fotografou as flores, as ervas,
os espaços e mudou…
O sonho desfez-se… E Maria vai reconstruindo outros …



Monday, 25 July 2016

Domingo à noite

                      
Silêncio e paz
Pintam o pinhal!
O movimento foi,
desvaneceu-se como sol...
Partiu no domingo...

A escuridão enche  a noite
E o silêncio...

O pressentimento regressa,
Transparente,
Vivo,
Nítido 
como a lua no  firmamento!

A solidão não pesa,
Nem angústia,
Nem adormece os sentidos ;

Desperta-os.

Não quero ser obstáculo nem fantasma
colorido
do prazer desejado,
sentido,
Escondido.

Desculpas forjadas
Ou reais 
Emergem com frequência , 
escapadas plausíveis,
Lógicas,
São.

O céu alaranjado
Do sol já posto
Lança um aviso de lá ,
 do longe...

A mentira só convence
Misturada com verdade.
A traição está lá,
Vive na sala,
Vive na cabeça,
No gesto solitário,
Na imagem guardada
Com palavras seleccionadas,
Simples,
desconhecidas .

E a paz regressou,
Uma paz cinzenta,
Corrompida,
 pela decisão não tomada,
Há longo tempo conhecida.

O céu está escuro,
O fogo,em cor,já não é;
A lua já lá não está,
O sono espera,
O sonho já foi.









Wednesday, 14 October 2015

Horas de cansaço...

O cansaço tomou conta de mim. Todo o esforço que tenho feito ao longo destes meses parece ter-se acumulado neste órgão pequenino que bate no peito. As tentativas de superação têm-se sucedido, a procura de explicações para atitudes que observo não pararam de surgir , de enrolar-se e desvanecer-se na cabeça , mesmo quando faço um esforço titânico para as afastar. 
A incerteza e a angústia coabitam com a vontade de sonhar e de viver. 
Fazer o que o coração dita é diferente de fazer o que a razão aconselha e, há momentos na vida em que a razão deve sobrepor-se ao sentimento. 
É assim a vida por onde andamos desde que nascemos e da nada vale fingir que não o sabemos. 
Estes momentos são difíceis, insuportáveis mesmo e o físico acaba por responder às angústias dos sentimentos. 
E o corpo reage como pode e é capaz... Cansaço, dores, desejo forte de acabar com as emoções negativas traduzido em disfunções biológicas. 
De nada servem as dezenas de pílulas recomendadas, por muito eficazes que sejam, quando a mente fervilha em dúvidas, incertezas e angústias.
Olho as crianças que convivem com o caos emocional e o olhar devolve -me jovens inseguros quanto aos caminhos a seguir. Devolve-me adultos revoltados , sem confiança nos tempos que têm para viver, sem esperança e sem certezas num tempo que devia ser de sonhos. 
E o cansaço que não me abandona. 
E a saudade da mãe que já partiu acompanha- me. É a saudade da pessoa que sempre me compreendeu, que me transmitiu os valores com que pauto a minha passagem por este mundo, é a força que sempre me deu ,em momentos menos bons , onde o caminho era menos risonho.
Procuro a solidão. A solidão habitada pelas palavras que leio,pelas palavras  que quero escrever e teimam em não revelar os sentimentos que me oprimem. A solidão que me deixa acompanhada apenas pelas emoções  que me dominam, pelas lágrimas que deixo cair livremente sem que ninguém as veja, por sentimentos complexos, indefiníveis mesmo, de todas as cores e formas possíveis de serem sentido mas nunca precisos  nem claros. 
Sentimentos embrulhados em nuvens cinzentas, independentemente do sol que brilhe lá no alto. 
São horas de cansaço.Físico e emocional.

(Recuperado, hoje, mas escrito há tempos... Em momentos menos confortáveis...)



Friday, 21 August 2015

Pensamentos...


Há cerca de 10 anos que alimento este blog... Por vezes frequentemente, outras nem tanto. Hoje decidi publicar alguns posts inacabados que por aqui habitavam. A vontade de o actualizar sempre é maior que a acção necessária para que tal aconteça. Bem o prometo a mim própria. Promessas vãs. 
Acho que vou tentar mais uma vez. Até porque as Viagens continuam a ser o meu maior prazer. 
Viajo para aprender. Viajo para esquecer. Viajo para conhecer. Viajo para comemorar. Viajo para fugir. 
Devo ter alma de saltimbanco ou de cigana. Já volto.
A minha costa está longe...

Friday, 14 August 2015

Não consigo entender

Estou espantada comigo mesma. Vim visitar me a mim própria e nem queria acreditar que o último post era de 2014. Tinha quase a certeza que havia escrito algo há menos tempo. Devo estar mesmo velhota. As coisas que já fiz este ano, os lugares por onde andei, as desilusões que já passei, os projectos que já cumpri, as alegrias e tristezas que já me invadiram e nada consta neste espaço que tão carinhosamente criei e tenho alimentado , com muita irregularidade, é certo, mas com autenticidade e, muitas vezes, em jeito de desabafo. 
Tenho de colmatar esta falha, e sem demora.  A preguiça nunca fez bem. As palavras não podem ficar na mente, pois, se não forem usadas, esquecem-se e tanto inundam a cabeça que nos podem abafar.
Os sentimentos e emoções não podem permanecer escondidas , pois só servem para alimentar a solidão. Não sei quem vai passar por aqui, mas quem quem quer que seja, acho que me vai entender. Aqui deixo uma foto, das milhares que fui tirando e conservo e vejo e revejo e me enchem a alma. Volto já. 

Uma vista panorâmica da Lagoa da Empadada em São Miguel, Açores




Wednesday, 17 September 2014

Reflexão num sábado de manhã


fotografia de manuela gonçalves

Na esplanada um murmúrio sussurrante dos poucos clientes sentados. O sol ainda se esconde por trás das nuvens .  Palavras soltas aqui e ali  mal deixam  adivinhar  temas de conversa... Também não  é nada que me preocupe... Basta-me o sussurrar ...
Com o café e uma torrada de pão integral na mesa , olho em volta. O olhar perde-se no espaço e na serenidade das águas calmas  azuis da lagoa. 

Gosto de ver gente ... Gosto de ver o mar... 

 Gosto do movimento de vai vem de pessoas, do trânsito não caótico dos carros, enfim do  movimento de vida comum dos dias comuns de gente comum.
Gosto de observar  cores, imaginar estados de espírito, ouvir comentários soltos que, muitas vezes, são mais do que palavras atiradas no ar. São reflexos  de angústias, de alegrias, de tristezas, de saudades e de sonhos... 
Estar muito tempo sem ver gente é como estar  quieta, a aguardar que o fim da estrada  seja já ali  e ninguém  dê conta  dos meus últimos passos. 
Por outro lado, momentos  a sós  com os meus sonhos, com as minhas inquietações e medos  são  uma necessidade de que não prescindo . Contradições ? Talvez sim.  Ou talvez não. 
Para continuar ao longo da estrada, preciso de saber que a alguns passos dos pés já cansados há gente que corre, que sonha, que chora. Gente a quem posso dizer " bom dia" ou "boa tarde" ou simplesmente    entabular uma conversa banal,  falando de tudo e de nada, mais ou menos profundo,mais ou menos  sólido , enfim do mundo que mudou e vai mudando, dos valores que se foram e voltarão ou não, dos tempos que foram e hão de vir...

Os pensamentos que me assaltam , quando no horizonte apenas vislumbro vazio e silêncio, assumem uma tragicidade ( não sei se a palavra existe ou se acabei de a inventar ...para mim, existe...) que me sobressalta e deixa em mim uma marca de angústia cinzenta, quase depressiva de que não gosto ... 
Pelo contrário, quando vejo pessoas, mesmo que  muito  ao longe, sinto que  a vida e a  esperança ainda habitam  na estrada que falta percorrer. 
 Crianças brincam na areia, à beira da lagoa . Casais passeiam  no calçadão  enquanto alguns jovens,  não muitos,  que o sol tarda em brilhar, conversam  sentados. Vejo-os ao longe, vultos coloridos , sem feições nítidas à distância em que me encontro. Vultos que se movem, que possivelmente falam, que sonham, imagino, indiferentes aos meu olhar. Gente que vive e aproveita o sol, finalmente descoberto, nesta manhã de sábado de setembro.









Sunday, 22 June 2014

Momentos difíceis...


Os tempos têm sido difíceis . Ter de desfazer uma casa onde se viveram churrascos, natais, aniversários, simples almoços ou jantares de família, tardes de desabafo e risota é simplesmente angustiante. Um nó oprime o peito, sem que comprimido algum o desfaça. lágrimas inundam os olhos sem que vontade alguma as consiga secar. Cada objecto implica uma recordação, um momento passado, uma oferta feita ou um simples momento de partilha.
São sentimentos perdidos, recuperados por momentos, transformados em lágrimas noutros. 
A casa acabou por ser esvaziada. Três famílias, vítimas da crise que tem assolado esta terra, ganharam momentos de alegria e as lágrimas vertidas puderam regressar à origem, tristes , doloridas mas pacificadas pela certeza de que aqueles objectos não desapareciam ali. 




Wednesday, 4 June 2014

Momentos de tristeza...

Brilham estrelas na escuridão mas não as vejo
Cantam hinos no mundo  mas não os oiço
Crescem flores nos campos mas não as cheiro
Correm ondas na praia mas não as sigo
Voam sonhos nos céus mas não são meus...

Já vi estrelas, 
Já cantei hinos, 
Já apanhei flores,
Já segui ondas, 
Já sonhei... 

Hoje
Contemplo,
Recordo,
Choro... 

mg

Wednesday, 1 January 2014

2013, já foi... 2014 começa hoje...

Dia 1 de um ano cujo fim desconhecemos. O mesmo aconteceu ao longo destes anos todos, desde que me penso, mas este ano esta ignorância perturba-me... Será dos menos anos que tenho pela frente? Será dos acontecimentos familiares que afectaram  a viagem dos meses do ano que findou? Será dos sonhos que já não sei se tenho? Será das viagens que ainda não fiz  mas que insistem em viver na mente? Será dos afectos que já nem sei se sinto ou julgo sentir de tão habituada que estou a conviver com eles?
Alguma razão ou razões várias misturadas haverá para este sentir...
Não gosto de balanços, prefiro reflexões, avaliações, decisões, projectos....
Em 2013, fiz algumas viagens que tinha desejado...estive em lugares que o meu imaginário alimentava... deixei que a minha mãe descansasse, como ela me pediu uma hora antes de partir ... ouvi o meu cunhado partilhar de projectos que não concretizou... partilhei alegrias nas viagens de vida que os meus netos vão  percorrendo, ano após ano e já vão nos 11, 8 e 5 anos de estrada...
Não escrevi tanto como devia ter feito, é certo, mas as palavras se por um lado ajudam a um equilíbrio emocional, por outro  não chegam para expressar a balburdia de sentimentos de todas as cores, formas e tamanhos que albergo... ou será que não conheço as palavras certas?
Em 2013, ri de alegria e de tristeza, chorei de comoção e raiva, falei reflectida e irreflectidamente, calei palavras e sentimentos, recordei amores e desamores, esqueci coisas importantes e de somenos... digamos vivi como foi possível viver, senti como o meu coração quis, embora nem sempre como a cabeça dizia...
2014 começou hoje... daqui a uns meses se verá...
a vida é um carrocel...
fotografia de manuela gonçalves