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Monday, 28 May 2018

Memória da cidade...


Cidade esquecida ? Não. 
Arrumadinha na gaveta das memórias para não perturbar o quotidiano vivido  bem longe. Sempre que volto a percorrer os caminhos  do liceu de anos e anos , são os tempos de menina que me habitam, de novo.
A familia , então bem grande porque as tias e os primos diariamente estavam em nossa casa ou nós em casa delas...hoje só uma prima continua por lá. As tias partiram na última mviagem  e os primos foram plantando raízes noutros lugares .
Os amigos, os colegas de liceu, dos passeios, das confidências juvenis,  das pequenas partidas nas aulas,  jovens de então que habitam para sempre em memória minha . E também em memória deles, certamente, uma vez que todos, tantos anos depois, continuamos a responder ao  apelo de um almoço de afectos. Alguns , bem queridos, já não almoçam connosco, nem  recordam as peripécias em que todos fomos actores mas estão presentes ali nas mesas do restaurante donde se avista a cidade.
Nesses momentos, prefiro pensar que a ausência deles se deveu apenas e somente a afazeres pessoais e / ou profissionais. 
Cidade esquecida? Não.
Cidade  renovada, reconstruída em memórias , em avenidas e ruas, em praças e bairros , onde antigo e moderno se misturam numa urbanidade   cada vez com mais gente de outros lugares.
Cidade esquecida? Não.
Cidade revivida , hoje , na Torre do Relógio, dominante na  cidade, nas ruas estreitas do Bairro do Castelo e do Miradouro, no Jardim do Paço, testemunha dos  passeios, de  namoros juvenis, do preconceito contra os vizinhos espanhóis visível nas estátuas dos Filipes, em tamanho menor, no fundo da escadaria dos Reis. 
Cidade de granito, dos bordados únicos, que são orgulho de quem os faz e ambicionados por quem nunca os aprendeu a fazer.
Cidade esquecida? Não.

Cidade minha, onde o ar tem cheiro e cor, onde  deambulo com prazer,onde me sinto EU. 


Friday, 12 January 2018

Desabafos

O tempo continua frio e incerto. Tão incerto como eu me sinto agora quanto aos meus desejos hoje. O cansaço parece dominar - me . As pernas , com um formigueiro parecendo pronunciar uma crise de espasmos, bem incomodativas e características do SPI, diagnosticado há uns anos e sem causa nem cura  ainda descobertas pela ciência. 
São milhares os passos que diariamente percorro dentro de casa , apesar de ser um apartamento, ainda que com espaço. Os anos, já vividos, pesam no corpo, por muito que tal seja esquecido pelos outros. 
O cansaço físico e mental são bem reais . A resistência de há muitos anos evaporou -se com o sol que teima em brincar às escondidas. 
Por vezes, dá sinal de vida mas é sol de pouca dura, como diria a minha mãe. É tremenda a saudade da minha mãe que me afoga nalguns momentos. Saudade da voz dela, sempre conciliadora, esquecendo - se de si própria para apoiar a família. Sempre disponível! Também estou cansada da disponibilidade com que tenho agido ao longo dos anos . Não arrependida mas cansada . 
O arrependimento não me invade. Todos os cuidados que tive e continuo a ter são consequência dos afectos que sinto , o que não significa  que não se tornem cansativos, porque as forças já não são as mesmas, porque as recompensas são nulas ou insignificantes , porque , porque, porque.... 
Talvez deseje dos outros o que não me podem dar... talvez queira o que não me podem oferecer, porque não tiveram , não têm ou simplesmente não são capazes de dar. 
Hoje, gostava de estar no meio do mar. Acordar com o nascer do sol no horizonte, sentar- me na esplanada do deck mais alto do navio, sentir o suave deslizar nas águas, ouvir a ondas embaterem no casco e procurar com o olhar movimentos de aves ou de barcos outros ao longe. 
Gostava de andar deambulando pelos corredores e pelos decks, deixando  as palavras soltas voarem no oceano, loucas e coloridas . Gostava de ir até um dos bares abertos, passear pelos balcões de self service, recolher frutas e sumos e café e sentar- me ali, de frente para o mar , lendo, escrevendo, ouvindo música ou apenas estender- me numa espreguiçadeira e saborear o momento . 
Gostava . 



Thursday, 19 December 2013

Na auto-estrada, num dia de chuva...


As gotas de água caem fortemente ao longo de todo o trajecto. Auto-estrada pouco movimentada ao longo do litoral. Uma paragem para um café e um cigarro. As imagens vagueiam na cabeça enquanto os dedos tocam no teclado do iPad. As palavras vão e  vêm , enchem-se de cores, vibrantes umas, bem negras  outras, sem encontrar  a cor perfeita, adequada ao estado da alma ou do espírito, ou de outra coisa qualquer de que não sei o nome.
Um arco íris desenha-se no céu cinzento de há pouco, azulado agora, como que saudando alguma esperança ou algum sonho que permanece , escondidinho, dentro de mim e que, por vezes, se recusa a emergir. 
A água da chuva tem um poder estranho... Deprime, alegra, lava desilusões, faz renascer sonhos, afoga tristezas e alegrias... 
O cinzento da água brilha mais intensamente por entre as luzes de um natal que se aproxima. 
Luzes, cores, estrelas, pinheiros, pinheirinhos... Uma amálgama de sentimentos, de encantos e desencantos, de dúvidas e certezas, de palavras e gestos, de sons e silêncios... 
Natal para alguns, um dia como qualquer outro para muitos... 





Monday, 10 October 2011

esperar...

esperar
que o tráfego abrande
que a chuva  páre
que o sol nos visite
esperar
que o homem mude
que a criança cresça
que a  mulher viva a própria vida
não a dos outros...
esperar
ter esperança
aguardar ...
esperar
que o sonho vire real
que o real vire sonho
esperar,
esperar sempre
até que a morte chegue
devagarinho,
sem dor...

Saturday, 8 October 2011

casamento à chuva

Alegria no ar,
Emoções à solta,
Presenças desejadas!
Água abençoada,
Sonhos cumpridos
longamente desejados,
Famílias felizes!

(no casamento de um familiar, a 19/06/11)

Wednesday, 14 September 2011

Dublin...

O tempo não pára...hora a hora, dias, semanas, meses, anos...E os sonhos vão-se acumulando ... às vezes, sinto que uma alma cigana deve ter andado pela família,já que andar por esse mundo sempre me encantou.
Novos lugares, novas gentes, novos sabores e cheiros, novas cores seduzem-me. 
Amanhã vou até Dublin, um velho desejo... Vou andar por ruas que James Joyce tão bem descreveu, vou ouvir música que sempre me encantou...
 Amanhã, vou estar aqui

Monday, 12 September 2011

saudades

Nunca tive tantas saudades de Maputo e Bissau como ao longo destes meses. O calor das gentes e do sol, as cores da terra e das águas, o verde das florestas mas , acima de tudo a distância que me separava deste jardim "apodrecido", à beira mar plantado.
Saudades de acreditar num futuro para este país.