Showing posts with label viagem ao passado. Show all posts
Showing posts with label viagem ao passado. Show all posts

Monday, 28 May 2018

Memória da cidade...


Cidade esquecida ? Não. 
Arrumadinha na gaveta das memórias para não perturbar o quotidiano vivido  bem longe. Sempre que volto a percorrer os caminhos  do liceu de anos e anos , são os tempos de menina que me habitam, de novo.
A familia , então bem grande porque as tias e os primos diariamente estavam em nossa casa ou nós em casa delas...hoje só uma prima continua por lá. As tias partiram na última mviagem  e os primos foram plantando raízes noutros lugares .
Os amigos, os colegas de liceu, dos passeios, das confidências juvenis,  das pequenas partidas nas aulas,  jovens de então que habitam para sempre em memória minha . E também em memória deles, certamente, uma vez que todos, tantos anos depois, continuamos a responder ao  apelo de um almoço de afectos. Alguns , bem queridos, já não almoçam connosco, nem  recordam as peripécias em que todos fomos actores mas estão presentes ali nas mesas do restaurante donde se avista a cidade.
Nesses momentos, prefiro pensar que a ausência deles se deveu apenas e somente a afazeres pessoais e / ou profissionais. 
Cidade esquecida? Não.
Cidade  renovada, reconstruída em memórias , em avenidas e ruas, em praças e bairros , onde antigo e moderno se misturam numa urbanidade   cada vez com mais gente de outros lugares.
Cidade esquecida? Não.
Cidade revivida , hoje , na Torre do Relógio, dominante na  cidade, nas ruas estreitas do Bairro do Castelo e do Miradouro, no Jardim do Paço, testemunha dos  passeios, de  namoros juvenis, do preconceito contra os vizinhos espanhóis visível nas estátuas dos Filipes, em tamanho menor, no fundo da escadaria dos Reis. 
Cidade de granito, dos bordados únicos, que são orgulho de quem os faz e ambicionados por quem nunca os aprendeu a fazer.
Cidade esquecida? Não.

Cidade minha, onde o ar tem cheiro e cor, onde  deambulo com prazer,onde me sinto EU. 


Saturday, 11 January 2014

Coincidências... Ou talvez não...

Os acasos , na vida de uma pessoa, são surpreendentes... Gosto de fotografia, de viajar, de conhecer novas gentes e projecto muita coisa que acabo por não fazer. Neste fase da vida, gosto de reviver episódios passados e tentar compreender a razão de muitas decisões tomadas em tempos idos. Na quinta-feira passada, de manhã mais tarde que cedo, decidimos cá em casa, mais precisamente, o Maridao propôs e eu, não com muita vontade ,é certo, mas por necessidade ( tinha deixado o carregador do telemóvel na praia), acedi a ir até à praia da Consolação, o meu refúgio preferido , onde o mar é sempre belo... Como habitualmente,  sempre que por aqueles lados vagueio, as rochas precisavam de ser fotografadas. Nunca são iguais as imagens daquele mar, nem as ondas rebentam com os mesmos efeitos que levam a imaginação para a terra dos sonhos.
Ninguém nas rochas e apenas 3 pessoas, uma delas com máquina fotográfica e tripé, andavam por ali ...
Tinham umas fotos ou postais na mão e nada mais que chamasse  a atenção.  
Passarm alguns minutos até que se dirigissem a nós. As fotos , mais não eram que imagens dos anos sessenta, tiradas naqueles mesmos sítios por alguém, de quem não se sabe qualquer identidade, mas que tinham sido encontradas algures em Lisboa, por aquele fotógrafo, sueco, ali na conversa conosco. Foi uma conversa interessante e afinal o fotógrafo é um realizador  em busca de uma história  que fotografias tiradas pelo mundo deixam adivinhar. 
Um projecto fabuloso. Entre conversa afável, lá fomos dando a nossa percepção desta praia, as razões que nós levaram até lá, há mais ou menos 16 anos... Mais tarde, enviou-nos o link de um artigo saído no Público em Novembro de 2013. 
Compreendi melhor todo o projecto. Sem pensar em qualquer filme, trata-se de um trabalho que eu poderia ter desenhado...