Monday, 25 July 2016

Domingo à noite

                      
Silêncio e paz
Pintam o pinhal!
O movimento foi,
desvaneceu-se como sol...
Partiu no domingo...

A escuridão enche  a noite
E o silêncio...

O pressentimento regressa,
Transparente,
Vivo,
Nítido 
como a lua no  firmamento!

A solidão não pesa,
Nem angústia,
Nem adormece os sentidos ;

Desperta-os.

Não quero ser obstáculo nem fantasma
colorido
do prazer desejado,
sentido,
Escondido.

Desculpas forjadas
Ou reais 
Emergem com frequência , 
escapadas plausíveis,
Lógicas,
São.

O céu alaranjado
Do sol já posto
Lança um aviso de lá ,
 do longe...

A mentira só convence
Misturada com verdade.
A traição está lá,
Vive na sala,
Vive na cabeça,
No gesto solitário,
Na imagem guardada
Com palavras seleccionadas,
Simples,
desconhecidas .

E a paz regressou,
Uma paz cinzenta,
Corrompida,
 pela decisão não tomada,
Há longo tempo conhecida.

O céu está escuro,
O fogo,em cor,já não é;
A lua já lá não está,
O sono espera,
O sonho já foi.









Saturday, 13 February 2016

Saudades do sol...

Hoje o Inverno instalou-se aqui. 
Foi chuva... Foi vento...foi chuva... Foi mar galgando a praia... Foi sol escondido no céu cinzento... 
Um dia monocromático com matizes, todos cinzentos,  claros,escuros, médios....
 Azul, nem vê-lo, até o mar era cinzento...  
Caminhei por ruas empedradas, cinzentas, luzidias , molhadas...o impermeável colou-se ao corpo de ensopado que estava... 
Recordações de um dia longínquo no tempo tomaram - me de assalto. Recordações também cinzentas e negras. 
O dia em que a minha irmã nos deixou.
 O dia em que vi a dor e o desespero  e a raiva tomarem conta da minha mãe. 
O dia em que vi,  pela primeira vez, o meu pai perder a noção do tempo e do espaço num prenúncio do allzeimer que haveria de o habitar três anos mais tarde.
 O dia, em que tive a certeza de que uma família presente, um amor e cuidados na infância não significavam, por si só, opções de vida saudáveis e felizes. 
Um dia cinzento na alma, apesar do sol desmaiado que, nesse dia longínquo ,cobria Lisboa.   
Hoje , o inverno instalou-se por aqui. 
E as recordações invadiram-me...
 E as palavras teimaram em sair da mente, em caírem no monitor pequeno do iPad como se de um ritual de conforto se tratasse. 

Tenho saudades de um dia de sol ! Quero um dia de sol ! 

Wednesday, 10 February 2016

Uma viagem inesquecível (2)

Deixar Lisboa a bordo de um espectacular navio foi uma experiência memorável. Estou desejando poder repetir a partida e acompanhá-la da chegada . Não serei, não sou uma grande , nem pequena, diga-se em abono da verdade, navegadora. Sou , apenas, uma simples mulher que adora o mar e com uma imaginação fértil para vivenciar acontecimentos banais como grandes aventuras... 
Amante da fotografia sem passar de uma fotógrafa banal. Amante de viagens sem poder realizar todas as viagens que imagino. Mas esta viagem valeu a pena...

Tuesday, 9 February 2016

Uma viagem inesquecível (1)

Em Novembro, de 2015, um desejo de há muito concretizou-se... Um cruzeiro... Um regresso ao Brasil. Duas semanas no mar, num transatlântico , rodeada de Mar, de mordomias que imaginava existirem mas que não tinha vivenciado, de vistas de cor e movimento indescritíveis.

Os mais belos céus onde o sol nascia e se punha sempre numa aguarela de cores inemagináveis.
Chegar a terra, vinda do mar, oferece- nós as mais belas imagens mesmo quando os portos estão lotados de cargueiros ou os cais estão em obras ou o cinzento de tempo menos solarengo domina a paisagem. 
Partimos a 22 de Novembro de Lisboa. Eram 17:00 quando zarpámos. A pontualidade de um navio daquele porte surpreendeu-me... 

À medida que nos íamos afastando do Tejo, a beleza de Lisboa não cabia nos olhares. E a calma que me dominava, considerando que se tratava da primeira vez que embarcava num transatlântico, impressionou-me... Tinha-me imaginado algo angustiada, talvez um pouco enjoada até, mas nada disso. Estava encantada e feliz. 
A primeira noite no mar foi uma mão cheia de surpresas... Um ambiente de glamour, num dos meus bares favoritos, como havia de saber depois, o Purple Bar, co música jazz ao vivo. O barulho do mar de breu que apreciava da varanda do camarote. E a descoberta das muitas actividades ... Fotografar foi a minha ocupação principal naquelas 24 horas que levámos até chegar ao Funchal.

Wednesday, 14 October 2015

Horas de cansaço...

O cansaço tomou conta de mim. Todo o esforço que tenho feito ao longo destes meses parece ter-se acumulado neste órgão pequenino que bate no peito. As tentativas de superação têm-se sucedido, a procura de explicações para atitudes que observo não pararam de surgir , de enrolar-se e desvanecer-se na cabeça , mesmo quando faço um esforço titânico para as afastar. 
A incerteza e a angústia coabitam com a vontade de sonhar e de viver. 
Fazer o que o coração dita é diferente de fazer o que a razão aconselha e, há momentos na vida em que a razão deve sobrepor-se ao sentimento. 
É assim a vida por onde andamos desde que nascemos e da nada vale fingir que não o sabemos. 
Estes momentos são difíceis, insuportáveis mesmo e o físico acaba por responder às angústias dos sentimentos. 
E o corpo reage como pode e é capaz... Cansaço, dores, desejo forte de acabar com as emoções negativas traduzido em disfunções biológicas. 
De nada servem as dezenas de pílulas recomendadas, por muito eficazes que sejam, quando a mente fervilha em dúvidas, incertezas e angústias.
Olho as crianças que convivem com o caos emocional e o olhar devolve -me jovens inseguros quanto aos caminhos a seguir. Devolve-me adultos revoltados , sem confiança nos tempos que têm para viver, sem esperança e sem certezas num tempo que devia ser de sonhos. 
E o cansaço que não me abandona. 
E a saudade da mãe que já partiu acompanha- me. É a saudade da pessoa que sempre me compreendeu, que me transmitiu os valores com que pauto a minha passagem por este mundo, é a força que sempre me deu ,em momentos menos bons , onde o caminho era menos risonho.
Procuro a solidão. A solidão habitada pelas palavras que leio,pelas palavras  que quero escrever e teimam em não revelar os sentimentos que me oprimem. A solidão que me deixa acompanhada apenas pelas emoções  que me dominam, pelas lágrimas que deixo cair livremente sem que ninguém as veja, por sentimentos complexos, indefiníveis mesmo, de todas as cores e formas possíveis de serem sentido mas nunca precisos  nem claros. 
Sentimentos embrulhados em nuvens cinzentas, independentemente do sol que brilhe lá no alto. 
São horas de cansaço.Físico e emocional.

(Recuperado, hoje, mas escrito há tempos... Em momentos menos confortáveis...)



Sunday, 13 September 2015

Porto Santo em Setembro

Gosto de estar aqui. Uma semana de paz, de temperatura agradável e até o Outono, bem ameno , resolveu visitar-nos.
Ontem, escrevi um post. Estava na praia da Calheta, dos sítios mais belos e calmos que já vi. Depois, num gesto impensado, daqueles que predominam no meu modo de estar, apaguei tudo ou melhor, fechei o iPad sem guardar as palavras tão sentidas que havia escrito. 
Uma ilha de praias, com areia dourada, muito fininho que se escapa pelos dedos e se cola à pele. Com rochas vulcânicas, cheias de cortes e recortes que desenham texturas variadas e desenhos capazes de desafiar a imaginação mais lenta. Com rochas que fazem lagoas de água cristalina onde nós podemos deitar e aguardar que as ondas, batidas antes nas rochas gigantes , nos cubram o corpo com suavidade e nos façam sentir a frescura das águas. 
Uma ilha pequena, onde tudo se pode fazer a pé, caminhando pelo calçadão ou pela praia mas, se não puder ou não quiser, uma corrida de táxi de uma ponta à outra custa-lhe  cerca de 12 euros e ainda pode marcar a hora em que pontualmente um amável motorista o vira buscar.
Uma ilha onde se respira paz, onde o mar nos segue e onde as esplanadas estão estrategicamente situadas . 
Gosto desta ilha. Gosto da paz que respiro aqui, do mar que não me deixa, da ausência de situações embaraçosas , até porque, no meio do Atlântico, mesmo que as crises sobrevenham , demoram muito a chegar aqui. 
Uma ilha a cerca de hora e meia de avião com locais que os turistas não procuram ao alcance dos meus pés. 
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