Tuesday, 10 October 2017

No coração do Alentejo, hesitações minhas....

Viemos para Beja, ontem. Uma viagem na programada, turisticamente falando. Uma viagem decidida no calor da confiança, num rasgo dê optimismo. Tinha acabado de sair de uma consulta, onde , como sempre, se falou dos cigarros, que tanto me acompanham , principalmente , em momentos menos agradáveis da vida. Fumar um cigarro permite - me controlar sentimentos de impotência perante algumas atitudes menos confortáveis. Sentar - me numa esplanada, tomar um café e fumar um cigarro ,olhando em redor, sem ver, tornou - se, desde há muito tempo, num acto de prazer capaz de acalmar a ansiedade  e calar palavras mais ou menos agressivas que sentia vontade de dizer... também  em momentos de reflexão intensa... um cigarro numa mão, a caneta na outra...
Apetece-me deixar de fumar ou melhor apetece-me deixar de ter vontade de fumar... assim disse ao médico e amigo com quem estava conversando.  E falou- me em Beja. Sem milagres. Sem conhecer pessoalmente mas por intermédio de fumadores compulsivos , que haviam deixado de fumar. 
Voltei para casa. Fui até à minha esplanada de todas as manhãs. Pedi o meu carioca de café , acendi o meu cigarreiro , olhei a estrada por onde transitavam os muitos carros da cidade e decidi ... vou deixar de fumar, sem stress... vou tentar Beja... farei parte dos 90% de ex-fumadores ou dos 10% que continuaram a fumar? Afinal, até gosto de viajar! 
Beja foi presença na minha vida durante anos... boas e más recordações já que nada na vida é imutável... boa altura de voltar à cidade alentejana, bem quente onde o meu neto viveu tão pequenino e o meu coração tão feliz com ele, chamando por mim naquela vizinha doce de criança.
E foi assim que voltei aqui. Com o  prazer de viajar, com a alegria que sempre sinto neste Alentejo único , no mundo, com o companheiro das minhas andanças de mais de 4 décadas, com dúvidas e certezas e incertezas ... 

Searas ...quadro decorando o Hotel

Praça da Saudade
Renque de palmeiras numa avenida 

Saturday, 2 September 2017

Saturday, 26 August 2017

Domingo de manhã

O título até nem é totalmente verdadeiro . É domingo, o ultimo de agosto, mas já é uma hora. A sirene tocou há pouco , recordando a todos que o dia vai a meio. O tempo está ameno, como aqueles dias de outono com sabor a verão ou Primavera, como queiram.
No café do costume, com a mesma paisagem na frente da mini esplanada onde me sento. Carros atravessam a estrada , de duas vias, divididas por um estreito passeio, repleto de arbustos em crescimento.
No céu azul, mesclado de nuvens, alguns rastos brancos dos aviões que se cruzam deixando ou chegando a Lisboa. Este céu é de passagem obrigatória.
Também devia ser obrigatório circular no céu cada período de 70 dias. Pelo menos, para mim.
Viajar por terras e mares é um prazer indescritível. Descobrir lugares, conhecidos apenas de mapas ou de descrições escritas e faladas feitas por outros ou imaginadas , simplesmente. Perder-nos em ruas e avenidas de cidades bem distintas das que habitualmente habitamos, tendo como referência um prédio ou outra construção qualquer que marcámos como sinal na nossa mente curiosa, satisfeita e receosa .Tudo mesclado numa amálgama de sentimentos que me fazem sentir viva.
Gosto de cruzar os céus e observar as nuvens com formas que se assemelham ao que a nossa imaginação deixar.
Gosto de cruzar os mares e sentir o movimento das ondas enquanto vou contemplando o infinito, vislumbrando sombras que tanto podem ser peixes como barcos ou mesmo ondas em movimento.
Quer nos céus, quer nos mares, a liberdade é o sentimento dominante. A imaginação percorre todos os caminhos abertos, as saudades, que também sinto de outros lugares e pessoas ficam bem aninhadas num cantinho, como que adormecidas, sem dor, suavemente.
Gosto de viajar. Faz- me sentir viva, com sonhos de criança e certezas de jovem, sem que o passar do tempo me assuste. Pelo contrário, aqui, parece que apenas aguardo que o tempo vá passando inexorável e lentamente.
Aqui, sentada, parece que vejo a vida passar como se fosse uma mera espectadora.

Wednesday, 9 August 2017

Vento, vento e mais vento

A vista é linda , com cores vibrantes, onduladas...Alguns barcos descansam da faina ... as muralhas da cidade protegem este pedaço de costa do vento que sopra de todos os lados, por vezes com rajadas mais fortes . Não é dança do vento, não. Também não é baile mandado. É dança de espíritos, talvez mal amados , mostrando aos infelizes mortais , amantes de Praia, que quem desenha a coreografia , é a natureza. 

O vento traz consigo o mau humor na exacta medida em que o sol nos reconcilia com alguma esperança ... 

Thursday, 20 July 2017

Esperando....

A cor cinzenta domina a cidade neste dia de verão... O calor parece ter- se escondido para descansar ou fazer-nos recordar que agosto não é sinónimo de quentura.
No café, sentada na esplanada com uma única mesa para fumadores, aguardo a chegada  n. , enquanto observo o movimento escasso na rua e no próprio hospital, sempre a abarrotar de gente. Uma ecografia de rotina é a causa desta vinda a uma cidade onde vivi muitos anos, onde os meus filhos nasceram, que sinto um pouco minha. Aqui , foram muitos os momentos de alegria e tristeza, porque aqui vivi. E a vida é assim mesmo... Uma miscelânea de sentimentos que nos enchem, permanecem, saem sem que nós façamos por isso. Os acontecimentos sucedem-se, vão caindo ao longo dos caminhos que trilhamos dia a dia , hora a hora, enquanto o coração ainda bate.
Agora mesmo, um homem, ainda jovem, talvez com trinta e poucos anos, usando umas bermudas de ganga como as de todos os jovens que circulam por aí, fazendo turismo ou simplesmente vagueando é uma t-shirt cinzenta, vulgaríssima, me pediu um cigarro, com a educação de um desempregado e a delicadeza de um cavalheiro. Esta terra  não é para velhos, o título de um excelente filme, visto há anos , de Cohen . Hoje, poder-se-ia fazer um novo filme  de problemática semelhante, mudando a idade dos protagonistas... Esta terra não é para jovens . 
O sol espreita , por entre as nuvens, morno ainda, enquanto o cavalheiro de cabelos grisalhos, aguarda  que alguém lhe traga as chaves esquecidas no bengaleiro do hall da casa, num andar do prédio, junto à esplanada onde estou e que ele pede, com voz educada através do intercomunicador.
As chaves já chegaram, nas mãos de uma mulher mais jovem, possivelmente empregada da casa. O homem agradeceu, e com as chaves na mão, foi pela rua, ladeado de árvores floridas, avistadas daqui e já fotografadas. 
A senhora, colaboradora do café, como agora se diz, vem perguntar-me se já acabei a meia de leite , pedida e na mesa ao lado do cinzeiro que tira e substitui por outro, limpo. 
Não acabei ainda. E ela vai para dentro , atendendo outros clientes , esperando junto ao balcão. Pressinto que ela estranhou o meu tempo , aqui fora, e veio apenas confirmar a ainda minha presença. Afinal, se eu partisse, sem pagar, ela teria de desembolsar o dinheiro perdido pela senhora, que parecia de boas contas. A senhora sou eu. Não, não parti e continuo à espera do N. 
Apesar da pouca gente que andava pelo hospital, o tempo continua longo, como sempre, nestes locais ditos para reparar ou prevenir doenças que não escolhem sexo, nem idade. Talvez haja poucos médicos. É agosto, mês de férias, de praia, de sol que hoje se escondeu. Espreita, espreita, mas não sai do abrigo nublado. 
Espero. Escrevo. As palavras fluem como a água que não vejo, porque está longe, lá para S.Pedro de Moel, onde tenho passado momentos de paz interior muito valiosos. 
À espera está a chegar ao fim do caminho. O telefone avisou-me. Vou acabar a meia de leite e guardar as palavras para mais tarde. Até já. 

uma semana de férias...

Uma semana na praia com os rapazes da família. O sol brilhou sempre embora algum vento se fizesse sentir mas que permitia tolerar a temperatura algarvia. 
Praia, passeios e convívio de ternura com os meus netos. Andaram por Vilamoura, na Marina, onde os barcos se amontoavam, numa ostentação de riqueza e aventura. Curioso, como o Lucas não gostaria de viver ali… muita confusão , dizia ele.
Algumas recordações me encheram de tristeza que escondi … ali, assisti a um Congresso, poucos dias depois da minha irmã ter partido. Nessa época, a tristeza tomava conta de mim e a beleza dos barcos, das ofertas de consumo, das viagens que o mar e os iates faziam sonhar não foram suficientes para esquecer a partida de alguém que amava e que sempre fizera parte da minha vida… não deixei que a tristeza fosse noitada por eles. Pelo contrário, contei - lhes pequenas histórias ali vividas com a Judite, amiga de longa data , ali residente. 
Por vezes, pergunto- me se não falar das emoções tristes que nos assolam a crianças, será ou não aconselhável. 
A vida tem momentos bem tristes e não é por os omitirmos que deixam de existir ou deixamos de passar por eles… acredito que as crianças são capazes de entender bem os acontecimentos menos felizes que também os ajudam a crescer.
O grande objectivo para as crianças era poderem saltar nos parques aquáticos, onde divertimentos de toda a ordem estão ali à mercê de uns minutos de espera em filas de gente, ordenadamente aguardando a sua vez. Não seria capaz de usufruir de alguns dos escorregas mas a cor, o movimento, os sorrisos visíveis nos corpos em fato de banho, a música que ecoa no recinto agradam-me… fazem-me sentir viva e esquecer situações menos agradáveis.
As crianças estavam exultantes, incapazes de pararem um pouco… corriam de um para outro escorrega e gritavam “ Vó, vêm connosco , é bom, vais gostar”… eu ia circulando,  vigiando e tirando fotografias.
Depois de jantar, um trampolim com elásticos que permitia saltar na vertical, era o divertimento favorito e diário. Até o mais novato, que na água, revelava algum temor, ali era um mestre. Saltos e mais saltos, gritos de alegria … era a adrenalina no auge…
Andar no calçadão de tuktuk , em que também eles podiam conduzir e todos, com excepção do avô, pedalavam, tornou- se uma actividade a merecer repetição. O calçadão tem cerca de 2 km, bem largo e ao longo de praias bem quente, com nomes diferentes consoante o café ou hotel que a explora. A nossa favorita era a Praia do Zé, com um bom serviço de snacks, pizzas, sandes, saladas , sopas e gelados, no areal e onde passámos muito tempo, comendo, tentando por os pés no areal, bem quente, jogando nos telemóveis, lendo o jornal, conversando.. 
Foi uma semana deliciosa, a repetir, enquanto a idade e o dinheiro nos permitir.