Wednesday, 14 October 2015

Horas de cansaço...

O cansaço tomou conta de mim. Todo o esforço que tenho feito ao longo destes meses parece ter-se acumulado neste órgão pequenino que bate no peito. As tentativas de superação têm-se sucedido, a procura de explicações para atitudes que observo não pararam de surgir , de enrolar-se e desvanecer-se na cabeça , mesmo quando faço um esforço titânico para as afastar. 
A incerteza e a angústia coabitam com a vontade de sonhar e de viver. 
Fazer o que o coração dita é diferente de fazer o que a razão aconselha e, há momentos na vida em que a razão deve sobrepor-se ao sentimento. 
É assim a vida por onde andamos desde que nascemos e da nada vale fingir que não o sabemos. 
Estes momentos são difíceis, insuportáveis mesmo e o físico acaba por responder às angústias dos sentimentos. 
E o corpo reage como pode e é capaz... Cansaço, dores, desejo forte de acabar com as emoções negativas traduzido em disfunções biológicas. 
De nada servem as dezenas de pílulas recomendadas, por muito eficazes que sejam, quando a mente fervilha em dúvidas, incertezas e angústias.
Olho as crianças que convivem com o caos emocional e o olhar devolve -me jovens inseguros quanto aos caminhos a seguir. Devolve-me adultos revoltados , sem confiança nos tempos que têm para viver, sem esperança e sem certezas num tempo que devia ser de sonhos. 
E o cansaço que não me abandona. 
E a saudade da mãe que já partiu acompanha- me. É a saudade da pessoa que sempre me compreendeu, que me transmitiu os valores com que pauto a minha passagem por este mundo, é a força que sempre me deu ,em momentos menos bons , onde o caminho era menos risonho.
Procuro a solidão. A solidão habitada pelas palavras que leio,pelas palavras  que quero escrever e teimam em não revelar os sentimentos que me oprimem. A solidão que me deixa acompanhada apenas pelas emoções  que me dominam, pelas lágrimas que deixo cair livremente sem que ninguém as veja, por sentimentos complexos, indefiníveis mesmo, de todas as cores e formas possíveis de serem sentido mas nunca precisos  nem claros. 
Sentimentos embrulhados em nuvens cinzentas, independentemente do sol que brilhe lá no alto. 
São horas de cansaço.Físico e emocional.

(Recuperado, hoje, mas escrito há tempos... Em momentos menos confortáveis...)



1 comment:

Kátia said...

Nela,
Acredito que escrever faz com que passemos para o papel e/ou monitor nossa visão de mundo,nossos sentimentos e isso serve de válvula de escape em nosso benefício.Se a faz sentir melhor,não pare.
Beijinhos.
P.S-Foto espetacular.