O ano
nem começou muito mal, apesar dos pressentimentos que me
assaltavam depois de um natal em que as relações
familiares soavam a teatro. Afinal, tratava-se do primeiro natal no apartamento
para onde me tinha mudado há pouco menos de um mês e do último natal
com a família completa que havia de ter, como viera a saber uns
meses depois. Primeiro e último, palavras que indicam a
ordem dos acontecimentos que marcam as nossas vidas.
Pois,
neste caso, dois meses depois, havia de saber que era o último natal em que aquela família estava reunida. É isso
doeu muito. E ainda dói, principalmente pelas crianças para quem a época natalícia
assume uma importância que mais nenhuma outra data chega a ter.
Quando
a noite acalma e a sonolência começa a dar lugar à excitação provocada pelos brinquedos novos, alguém se lembra do familiar que, por acaso , não estava presente na distribuição dos presentes, cuidadosamente guardados num canto da
sala.
E foi
o último com todos presentes, como havia de vir a saber
depois.
